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Christine Assange – 'Apoio Wikileaks não porque Assange seja meu filho. Penso que Wikileaks está fazendo um bom trabalho; aquele que os jornalistas devem estar fazendo. '

O impacto causado pelas revelações de Wikileaks, é que, além de revelar o estado verdadeiro de assuntos sobre política nacional e mundial elas também expuseram os governos de marionete – nas mãos de poderosos interesses privados - que fariam de tudo para desencorajar que tais revelações se repetissem no futuro. Infelizmente esses governos não pretendem modificar a sua política para outra que respeite as fundações da democracia; em vez disso preferem ir atrás do Wikileaks e dos seus apoiadores, começando com o seu editor Julian Assange e a sua família. Um modo de atacar Assange foi o uso da difamação e desinformação, tarefa fácil desenvolvida pelos meios de comunicação dominados pelo corporativismo e pela política estabelecida.

Publicamos aqui a nossa entrevista com a mãe de Julian Assange, que está conduzindo a sua própria luta, uma luta contra aquela mesma sujeira baseada na criação dos fatos de Wikileaks e o caso complexo de seu filho largamente conhecido, tanto na Internet como na rua.

Os resultados da luta de Assange e do Wikileaks são críticos ao futuro da democracia: incitamos o leitor a conhecer os fatos e unir-se à luta.

Boa leitura

   

– Entrevista por Mehdi
- Primeira publicação em12-03-2012.
- Traduzido por basicregisters

Christine Assange

Christine poderia dizer-nos resumidamente sobre você?
Sou a mãe de Juliano, tenho 61 anos, vivo em Queensland e trabalho em teatro independente. Ganho a vida de um modo criativo e gosto de pintar e desenhar. Também gosto da natação, e vivo de um modo simples. Não gosto muito de computadores (risos), mas estou aprendendo muito na Internet sobre o estado do mundo e ajudo atualmente Juliano na sua luta contra a extradição. Não posso me expor mais por medida de segurança.

Como era Julian quando criança? Houve algum fato marcante que o fez tão fortemente compromissado com a justiça e verdade?
Não, não nesse sentido, exceto que ele foi sensível e compassivo. Ele foi uma criança que não dava muita importância às coisas materiais. Amava a natureza; gostava de animais, era gentil. Ele sempre perguntava "por que" e gostava de discutir teorias. Foi um leitor verdadeiro.

E um bocado aventureiro talvez?
Sim, bastante aventureiro. Ele gostava de ir explorar com o seu cão Poss. Com os amigos construiu jangadas para aventuras no rio. Ele também gostava de viajar.

Julian Assange with dog Poss

Jovem Julian Assange com Poss seu cão. Foto cedida por Christine Assange.

Você pensa que a influência ilegal, antidemocrática e perigosa exercida nos bastidores por vestíbulos corporativos e políticos está agindo, hoje, ao nível do governo australiano?
Penso que a situação adquiriu um perfil muito pior. É seguro dizer que o nosso governo está praticamente influenciado pelos EUA no momento atual, especialmente o Primeiro Ministro. Isso pode ser demonstrado pelo fato de que, no Parlamento, só o Partido Verde defenderia Julian, apesar do apoio do povo australiano e das manifestações públicas por parte de intelectuais, advogados, ativistas de direitos humanos, acadêmicos e editores.
E ainda a Primeira Ministra está fazendo o que os EUA querem, embora a maioria discorde dela ((Juliano tem um índice de suporte de 87 % na Austrália) – é porque ela pode estar trabalhando para os EUA e não para os australianos.

Depois da publicação de Cablegate por Wikileaks, o governo australiano ameaçou com o cancelamento do passaporte de Julian, o que estabelece um precedente perigoso. O que o cancelamento de um passaporte australiano representa para o governo quanto à segurança pública?
Não parece que represente muito sob este governo, não é? Um e-mail divulgado pela agência Stratfor disse que um de seus analistas aconselhava cancelar o passaporte de Julian, sugestão acolhida por Robert McLelland [o antigo General-representante de Austrália] quase ao mesmo tempo. Voltamos então à mesma questão: a Austrália não está atuando como uma nação independente, mas simplesmente como "uma colônia" dos EUA.

Houve suspeitas, durante algum tempo, sobre uma sentença secreta contra Julian proferida por um Júri de Acusação nos EUA, mas, agora, graças à divulgação dos e-mails da Stratfor, temos a confirmação do julgamento a portas fechadas desde o início de 2011, há mais de um ano…
Sim, lá obviamente foi um Júri de Acusação. O que sei é que a composição deste Júri era de membros oriundos de uma área onde há uma alta concentração de militares e suas famílias, isto é; a Alexandria e Virginia. Composto apenas por quatro procuradores, sem a presença de um juiz e sem a permissão da presença de advogados de defesa, a sentença proferida não pode ser considerada juridicamente válida por qualquer governo e pela sociedade democrática, assim como não pode ser considerado válido o pedido de extradição pelos EUA. Comportam-se como se fossem a Star Chamber(i).

Witch-hunt, by Basicregisters

Witch-hunt, por basicregisters.

Inclusive, num e-mail da Stratfor um de seus analistas declarou ‘não existir nada detrás do caso sueco contra Julian a não ser o oportunismo dos procuradores em se promoverem’.
Os e-mails da Stratfor vêm como uma confirmação do que já sabíamos, isto é, que não há nenhuma base para um caso na Suécia… O que também sabíamos sobre a Suécia foi que uma mulher, SW, foi coagida a fazer uma declaração que poderia resultar na acusação de Julian por estupro e que, muito aborrecida não assinaria a declaração.
Também sabemos que em sua declaração inicial disse que dormia e no mandado de prisão constava que ela estava meio adormecida.Além do mais outra mulher, AA, submeteu à prova um preservativo doze dias depois da alegação que Julian tê-lo-ia rasgado deliberadamente; mas uma análise forense mostrou que não havia nenhum traço de DNA, seja de AA ou de Julian. Portanto os e-mails simplesmente confirmam a suspeita tivemos de que a acusadora usa o caso para se promover. Outro fato interessante a ser considerado: AA, o oficial de polícia que interrogou SW, e o advogado de ambas pertencem ao mesmo partido político, o Partido Democrático Sueco. Um mês depois que as alegações sexuais contra Juliano foram feitas, baseadas no consenso da acusação de estupro, todos se candidataram ao mesmo tempo. Uma juíza sueca, Brita Sundberg-Weitman [PDF], testemunhou no Reino Unido que a impetrante Marianne Ny, o advogado de AA e SW e o seu parceiro de negócios e AA, tinham trabalhado previamente na petição para entrarem com a ação sob ofensa sexual, o que foi descrito pela juíza como feminismo radical.
Fica a impressão que Marianne Ny usou a importância de Julian para entrar com a ação e se promover.

Qual foi a reação do governo australiano e da classe política quando das revelações?
Nenhuma. O governo australiano não disse nada depois que o e-mail da Stratfor aponta a natureza política acusação.
Muito antes dos e-mails da Stratfor, no dia 2 de Março de 2011, três advogados apresentaram no Parlamento Australiano briefings sobre o caso de Julian na Suécia. Um deles era diplomata para assuntos estrangeiros. Os briefings daquela reunião podem ser encontrados em wlcentral.org/node/1418
Mesmo depois daquela reunião o governo de Austrália não fez nada.

Como é possível que Stratfor, uma companhia privada, tenha conseguido o documento da acusação secreta e o governo australiano, mesmo com a vantagem de relações excepcionais com o governo dos Estados Unidos, não?
Não há nada naqueles e-mails que demonstrem qualquer oposição quanto a extradição de Julian. O periódico Sydney Morning Herald noticiou os pedidos de informações no Departamento de Assuntos Estrangeiros demonstrando que o governo australiano não se opõe à extradição. Já em Dezembro de 2010, os meios de comunicação australianos informaram que Julia Gillard não poderia fazer nada além de cooperar com o governo dos Estados Unidos a respeito de Julian. O governo australiano não fez nada por Julian, em absoluto, exceto um pouco de ajuda consular simbólica, praticamente nada. Contudo, no início de 2011, eles realmente aprovaram “a Emenda Wikileaks” que permitiu a ASIO espionar, para os Estados Unidos, os apoiadores do Wikileaks na Austrália.
A Primeira Ministra nunca pediu desculpa por criminalizar Juliano nos meios de comunicação globais.

Ela ignorou o conselho da sua própria polícia federal e de ASIO. Ela ignorou o protesto clamoroso de parlamentares que queriam Julian protegido porque ele é jornalista e o editor de uma organização de meios de comunicação que está sendo publicada globalmente. O governo australiano nem ofereceu proteção a Julian e nem protestou junto ao governo dos Estados Unidos quando alguns políticos e os comentaristas pediram o seu rapto e assassinato. Sequer ofereceu a mim ou à minha família qualquer proteção depois que os e-mails da Stratfor afirmaram que algumas pessoas poderiam nos tomar tudo o que possuímos.
Portanto penso que não se pode não pode interpretar de outra maneira: o governo australiano, pelo menos uma parte dele, conduzido pela Primeira Ministra, é totalmente cúmplice dos EUA na caça às bruxas.

Bob Carr, que é agora o novo Ministro das Relações Exteriores Australiano, foi muito crítico sobre a maneira como a Suécia está conduzindo, e como conduzirá o caso de Julian. Como cidadã australiana e como mãe de um cidadão australiano que está sendo injustiçado no exterior, o que você espera de Bob Carr no seu novo papel do Ministro das Relações Exteriores?
Eu esperaria que ele se aferrasse a sua crença no que ele disse há um mês, e conduzir a situação. Ele é um político maduro e experimentado, diferentemente de Julia Gillard. Esperaria que ele negociasse com os EUA, e que os fizesse entender que o estilo linha dura e o ataque à democracia e à imprensa livre não é o modo de enfrentar as publicações do Wikileaks sobre os erros do seu país e o embaraço causado por eles.Seria o melhor resultado… Ele daria um sentido à Primeira Ministra; que a Austrália pode resistir ao pedido de extradição embora mantenha esse tratado com Estados Unidos. Eu esperaria que ele defendesse a ideia que os bons amigos não sempre estão de acordo, e que um bom amigo pode dizer a outro amigo que ele está seguindo o caminho errado.
Espero que ele não seja amordaçado pela Primeira Ministra, ou ameaçado pelos EUA. Espero que tenha a coragem para defender um jornalista australiano vencedor do Prêmio-Wining de Walkey, a justiça, a liberdade de imprensa, a democracia e a soberania da Austrália. Bob Carr é bem conhecido como historiador especialista na história americana e como admirador da sua cultura. Gostaria que ele lembrasse era à América que possivelmente o que a projetou sobre os outros países é Quinta emenda da Constituição Americana(ii).
Muitas pessoas não sabem que Julian é um grande admirador da constituição dos Estados Unidos pela mesma razão.
Muitos Americanos apoiam Julian e estão muito preocupados com o modo como o seu governo reagiu às revelações Wikileaks.

Prometheus, by basicregisters.

Prometheus, por basicregisters.

Qual é, atualmente, a posição do caso de extradição de Julian na Suécia?
Espera-se a qualquer momento a decisão que o Supremo Tribunal do Reino Unido tomará quanto a sustentar ou não a apelação de Julian. Se a decisão for favorável ele não teria que ir à Suécia; caso contrário Julian terá uma semana pata apelar ao Tribunal Europeu de Direitos Humanos (TEDH). Se aceitarem sua apelação, Julian ficará no Reino Unido durante a apelação. Diante de uma recusa, em dez dias Julian deverá seguir para a Suécia, onde seria imediatamente conduzido ao cárcere – numa solitária – podendo comunicar-se, de vez em quando, apenas com seu advogado e cumprindo uma detenção com prazo indefinido.
Espera-se a qualquer momento a decisão que o Supremo Tribunal do Reino Unido tomará quanto a sustentar ou não a apelação de Julian. Se a decisão for favorável ele não teria que ir à Suécia; caso contrário Julian terá uma semana pata apelar ao Tribunal Europeu de Direitos Humanos (TEDH). Se aceitarem sua apelação, Julian ficará no Reino Unido durante a apelação. Diante de uma recusa, em dez dias Julian deverá seguir para a Suécia, onde seria imediatamente conduzido ao cárcere – numa solitária – podendo comunicar-se, de vez em quando, apenas com seu advogado e cumprindo uma detenção com prazo indefinido.
O tratado de extradição entre o Reino Unido e os EUA também me preocupa. É desequilibrado sofrendo críticas dos britânicos. Quando o Reino Unido envia um pedido de extradição para os EUA, ele é recebido pelo Departamento de Estado dos EUA através da embaixada britânica em Washington. Um advogado do Departamento de Estado analisa o pedido e avalia se ele está em conformidade com o Tratado de 2003, que sustenta a extradição entre os dois estados. Este requisito não se aplica aos pedidos apresentados pelos os EUA para o Reino Unido(iii).
A possibilidade da extradição de Julian da Suécia para os EUA é outro assunto inquietante. As pessoas acreditam que ele será protegido pelas leis europeias, já que o Reino Unido deveria assinar o pedido ulterior de extradição da Suécia para os EUA. Mas os EUA podem manobrar a situação usando o tratado bilateral de extradição entre eles e a Suécia, o qual permite extraditar qualquer pessoa sob o regime de consignação temporária, sem qualquer aviso formal. A extradição poderia dar-se com o rapto de Julian durante a noite. A Suécia nunca recusou qualquer pedido de extradição aos EUA.

'O não caso' sueco contra Juliano é um exemplo abominável de abuso e fabricação de fatos do nada; parece estar baseado apenas no desprestígio divulgado pela imprensa respaldada pelo governo ou censurada pelo editor. Não existe acusação nos confrontos de Julian, não há vestígio de DNA no preservativo apresentado como novas provas para a reabertura do caso; vítimas prováveis que são invisíveis ou que desapareceram, um advogado – e político – com um passado questionável atacando Julian verbalmente; um caso inicialmente encerrado e de modo insólito reaberto por um procurador, Marianne Ny – que tem uma agenda política e que, estranhamente, é amiga do advogado citado... Isto deveria ter provocado um protesto público na Suécia. Você recebeu algum apoio de cidadãos suecos, ativistas, políticos?
Tive suporte de cidadãos suecos e jornalistas que acompanham o caso pela imprensa alternativa. Acredito que se os meios de comunicação dominantes informassem seus leitores, a consequência seria um protesto em todo o país.
Por exemplo: Thomas Bodström, um dos advogados da firma, quando Ministro da Justiça da Suécia em 2001-2002 determinou que os egípcios inocentes, torturados em voos da CIA, deveriam ser indenizados em 2003(iv). Há outro fato muito importante: Julian não foi acusado de nada pela impetrante sueca Marianne Ny, ela tirou a Autorização de Detenção europeia só para interrogar Julian, apesar dele ter se oferecido para ser interrogado na Suécia. Ela desconsiderou sua oferta dando permissão para que deixasse o país no dia 15 de Setembro de 2010 para continuar seu trabalho no Wikileaks. Ele ofereceu-se para voar até a Suécia em 15 de outubro de 2010 e novamente ela rejeitou sua oferta.
Em prisão domiciliar nos últimos 14 meses, através de seus advogados, Julian dispôs-se a ser interrogado sob o protocolo de ajuda legal mútua. Isto incluiu ofertas de ser entrevistado por telefone, vídeo, Skype, pessoalmente na Scotland Yard ou na embaixada sueca em Londres. Marianne Ny rejeitou todas essas ofertas. Ela também mentiu aos meios de comunicação afirmando que não pôde entrevistá-lo no Reino Unido por causa da lei sueca, o que não é verdade, pois a Suécia é signatária do protocolo de ajuda legal mútua. Penso que um dos problemas é que o conselheiro político do Primeiro Ministro Sueco é Karl Rove, que prestou seus serviços para a administração de Bush. Ele deixou América em desgraça, implicado em várias campanhas sujas contra políticos de oposição e advogados. Ele também é amigo de Carl Bildt, Ministro das Relações Exteriores Sueco. Portanto deve-se acreditar que Karl Rove está orquestrando uma campanha suja contra Julian, pelos meios de comunicação suecos, em nome dos EUA.

As revelações de Wikileaks sempre resultavam verídicas: apesar do enorme número de documentos lançados, o seu registro de publicação permanece ileso. Também, nenhuma vítima foi reportada depois do Iraque, dos registros de guerra do Afeganistão e das revelações do Cablegate – confirmado até pelo então Secretário da Defesa dos Estados Unidos Robert Gates. Apesar da publicação de interesse geral na esfera pública, isto não causou nada mais do que o embaraço dos EUA e outros governos, do Pentágono e de outras agências de inteligência. E ainda A caça às bruxas dos Estados Unidos contra Julian permanece muito viva. Você acha que é uma questão de vingança, dar o exemplo ou ambos os casos?
Penso que seja ambos os casos... Eles já estão usando Bradley Manning como um exemplo… Em outras palavras, se você for um informante você será preso, torturado para a obtenção e organização das provas, é o que eles estão fazendo nesse momento…
Obama, até agora, perseguiu mais informantes do que todos os presidentes que o precederam, juntos.
Eles também estão fazendo de Julian um exemplo como um jornalista. Em outras palavras, ele é um aviso a outros jornalistas: se você publicar a verdade sobre crimes de guerra, corrupção, etc., então através das leis aplicadas em você intimidaremos os meios de comunicação e o seu governo. Nenhum governo afirmou que os documentos do Wikileaks não são autênticos. Como eles não podem comprovar o contrário a única coisa que podem fazer é ocuparem-se do assassinato do caráter com difamações; Julian tornou-se o alvo principal.
A maior parte dos comentários negativos sobre Julian nos meios de comunicação não é nada mais do que difamação, calúnia. Os e-mails da Stratfor revelam que em todo o mundo alguns jornalistas estão na folha de pagamentos de Stratfor. Daí o questionamento: quantos jornalistas, que estão atacando atualmente Julian, constam dessa folha não oficial de pagamento?
Os EU também tentaram fechar Wikileaks através bloqueio bancário ilegal, sabendo muito bem que o que Wikileaks faz não é ilegal. De fato, o Secretário do Tesouro dos Estados Unidos disse que não há nenhuma razão para colocar [financeiramente] o Wikileaks na lista negra.
Se esta perseguição ao Wikileaks e Julian fosse feita em um país do terceiro-mundo, o primeiro mundo estaria furioso e gritando por direitos democráticos.

Free Bradley Manning, Free Assange demo in Frankfurt (Germany), Jan. 15 2012

Global Change demonstração em Berlim, em 15 de janeiro de 2012. Cortesia Foto cedida por www.freebradleymanning.de

O que você diria às pessoas que consideram fazer algo por Julian, mas que ainda hesitam diante 'da publicidade negativa’ – uma forma educada da palavra sujeira – que possam ter ouvido em alguns meios de comunicação ou lido em alguns jornais?
Penso que as pessoas devem decidir baseada em fatos, não em opiniões. O melhor modo de decidir-se é checá-los você mesmo. Não podemos mergulhar normalmente na vida privadas de jornalistas, e cada um tem que se questionar por que a vida pessoal de Julian é tão manchada nos meios de comunicação. Vá a www.wlcentral.org/node/1418 e leia uma narrativa clara dos fatos do caso sueco, escrito por um advogado; uma narrativa que foi apresentada ao parlamento australiano no ano passado. Eles também devem ir a justice4assange.com, que tem fatos e também recursos verificáveis da verdade. E também wikileaks.org para acessar diretamente as publicações de Wikileaks, e saber mais detalhes do bloqueio bancário. Se você realmente quiser saber o que está acontecendo, dê uma olhada nos meios de comunicação dominantes e explore a Internet.
Muitos acreditam que os meios de comunicação dominantes estão manchando Julian porque eles veem em Wikileaks um competidor; na realidade estão sendo pressionados pelos seus governos. As pessoas devem adquirir mais informação online, é muito mais verdadeiro, porque os jornalistas online podem dizer muito mais coisas do que jornalistas de televisão ou jornais.

O que um cidadão pode fazer para ajudar Julian na sua luta contra aqueles poderosos, ilegítimos, e interesses, muitas vezes, criminais?
Em primeiro lugar, você tem que conhecer os fatos porque isto é uma guerra dos meios de comunicação e uma guerra de assassinato de caráter; assim, siga os três sites que mencionei e conheça os fatos. Uma vez que os conhece, contate com o seu político local e diga que você quer entrevistá-lo. Escreva cartas com os fatos; divulgue na imprensa livre que temos o direito á verdade, chame as pessoas para unirem-se contra a extradição de Julian. O seu voto depende disso. A liberdade é a coisa mais importante você pode deixar como herança a seus filhos.
Se você não conseguir uma entrevista, envie uma carta ou e-mail aos membros do Parlamento. .
Você pode falar com as pessoas, usar das rádios comunitárias, distribuir flyers, responder às postagens falsas postadas na mídia. Divulgue, por que até os meios de comunicação estão mal informados. Você pode colaborar financeiramente com Wikileaks e com o fundo de defesa de Julian, para ajudá-lo a pagar as custas.

Wikiglasses, by basicregisters.

Wikiglasses, por basicregisters.

Gostaria de acrescentar algo mais?
A reação dos EUA às publicações de Wikileaks foi muito repressiva aos direitos civis no mundo, e os EUA estão causando mais dano à sua credibilidade global do que as próprias revelações de Wikileaks.
A razão pela qual apoio Wikileaks não é porque Julian seja meu filho, é porque penso que Wikileaks está fazendo um bom trabalho, que os jornalistas deveriam estar fazendo.
Wikileaks permite saibamos o que os nossos governos estão fazendo em nosso nome, com nosso dinheiro; que estão enviando nossas crianças para serem mortas em guerras injustificáveis, sabendo que o dinheiro ganho com as guerras vai a Grandes Negócios e políticos.
As pessoas devem conhecer pelo menos o conteúdo de um dos ‘cables’ para entender importância de Wikileaks… para ilustrar minha sugestão, há ‘cable’ que Wikileaks publicou sobre como os EUA usaram a devastação no Haiti para promover a sua própria agenda econômica.
Por exemplo, ele resistiu a um aumento do salário mínimo à indústria haitiana e à funcionários da área têxtil (quem são uns dos mais baixos pagos no hemisfério Ocidental), porque iria inflacionar o preço do produto. O ‘cable’ revela que depois do terremoto disseram ao Presidente que ele não obteria nenhuma ajuda de emergência se continuasse insistindo no aumento de salário.
Wikileaks também revelou que quando a Venezuela tentou ajudar o Haiti e reduziu o preço do seu óleo em 40 % e com um empréstimo de taxa de juros baixo a longo prazo, permitindo a reconstrução de hospitais e escolas, as companhias de óleo dos Estados Unidos encontraram um modo de frustrar a iniciativa.
O ‘cable’ dos Estados Unidos no Haiti também revelou que a afirmação “THE GOLD RUSH IS ON!” enviada pela embaixada dos Estados Unidos no Haiti aos mesmos militares dos Estados Unidos que exploravam o dinheiro de ajuda de reconstrução depois do ciclone Katrina.

Isto é o tipo de coisas que Wikileaks expõe, por que Wikileaks é importante, e por que devemos defender Wikileaks e o seu editor chefe Julian Assange.

FIM

(i): (Stella Camerata = termo que significa qualquer tribunal sem lei e opressivo, especialmente aquele que se encontra no segredo. Um exemplo foi sua atuação durante os reinados de James I (1603–25) e Charles I (1625–49) como instrumento de opressão. O tribunal reunia-se em segredo para torturas e punir de várias formas para suprimir a oposição ao rei.) http://legal-dictionary.thefreedictionary.com/Court+of+the+Star+Chamber

(ii): http://pt.wikipedia.org/wiki/Quinta_emenda_da_constitui%C3%A7%C3%A3o_dos_Estados_Unidos_da_Am%C3%A9rica assegura aos norte-americanos o direito de permanecer calado e evitar assim a auto-incriminação, assim como a proteção contra buscas e apreensões descabidas.É comum os americanos invocarem a Quinta emenda quando se encontram perante agentes da administração que estão cometendo arbitrariedades ou abuso de poder.Ela não é válida quando se trata de esfera militar em tempos de guerra ou em casos de risco à segurança da população.

(iii): http://www.bbc.co.uk/news/uk-politics-16041824

(iv): Em 17 de Maio de 2004 um programa da TV4, sueca, noticiou que em 18 de Dezembro de 2001, um avião da CIA no aeroporto de Bromma, em Estocolmo, transportou Mohammad el Zary e Ahmed Agiza para o Egito, em clara violação da convenção da ONU sobre a tortura e várias outras convenções e leis. Em 2005, o governo Socialdemocrata sueco encarregado da Administração da Aviação Civil da Suécia e da Autoridade de Aviação Civil da Suécia agiu com rapidez na investigação dos fatos, ou seja; a CIA tinha, durante o período de 2002 a 2005, usado os aeroportos suecos para pousar seus aviões fretados. Saiba mais: http://rixstep.com/1/20120118,01.shtml

Ler mais:
Facts for your MPs: Christine Assange 60 talking points.
The details and facts of the case, and the Swedish political climate.
The numerous irregularities and violations of Assange's human rights by the Swedish justice system, politicians, and the press.
The banking blockade against Assange and Wikileaks.
A summary of Julian Assange's case, by his mother Christine.
What the Australian government is (not) doing for Assange.
Get news updates of the case: WLCentral.org.

See also:
Friends of Wikileaks
Crowdleaks
Friends of Julian Assange
Help Julian Assange face his outstanding legal costs, a consequence of the legal persecution against him.

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